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AÇÃO
17 de outubro de 2026 12:20

Prefeitura garante abastecimento de água na estiagem no Baixo Madeira

Agência de Notícias

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Instalação de filtros e distribuição de água garantem mais dignidade às famílias ribeirinhas do Alto, Médio e Baixo Madeira

 

 

A estiagem severa do rio Madeira no mês de outubro, deixou muitos moradores dos distritos e comunidades isolados, sem ajuda e apoio com água potável. 

Silmar Gomes afirma que o acesso à água tratada realiza um antigo sonho da comunidade ribeirinha

Silmar Gomes acompanhou durante anos os desafios enfrentados pelos moradores para conseguir água tratada durante a seca. Mas neste ano, ele foi incluído nas ações da prefeitura de Porto Velho, por meio do projeto que inclui moradores voluntários no programa de instalação do sistema de filtragem de água

“Sou nascido e criado aqui no Baixo Madeira. Como ribeirinho, eu lembro que antes precisávamos nos deslocar para buscar água. Isso era um sonho nosso, porque tínhamos gastos para ir até o distrito de Calama, além de correr riscos na navegação por conta do nível do rio. Então, ter água dentro da comunidade ajuda muito mesmo”.

Assim como o Sila, para quem vive às margens do Rio Madeira, a água representa o sustento, o alimento e a conexão com outras comunidades. Mas sempre no inverno, quando o nível do rio começa a baixar, a rotina de milhares de famílias ribeirinhas se transforma em uma luta diária para garantir o básico: água para o consumo.

Em Porto Velho, os efeitos da estiagem já são sentidos nas comunidades do Alto, Médio e principalmente, do Baixo Madeira, onde a redução do nível das águas compromete a navegação, dificulta o transporte de alimentos e limita o acesso à água potável.

Maria Vanda afirma que o sistema de água tratada facilita a vida dos ribeirinhos

Diante desse cenário, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Defesa Civil Municipal, intensificou as ações de assistência humanitária, com a instalação de sistemas de tratamento de água, distribuição de hipoclorito de sódio, cestas básicas e fornecimento de água potável às famílias atingidas.

A medida busca não apenas amenizar os impactos imediatos da seca, mas oferecer soluções duradouras para comunidades que enfrentam, ano após ano, as consequências dos períodos de estiagem e cheia do Rio Madeira.

Mais do que a instalação de equipamentos, a chegada da água tratada representa alívio para quem conhece de perto as dificuldades de viver em uma região onde o rio determina boa parte da rotina. 

As ações de enfrentamento da seca realizadas pela gestão municipal são ajuda humanitária, atendimento às comunidades afetadas, monitoramento dos rios e da qualidade da água, fiscalização ambiental, combate às queimadas, utilização tecnologias como drones, GPS e satélites para análise de cenários, além de apoio logístico terrestre e fluvial.

Maria Vanda, líder comunitária de Firmeza, disse que os projetos adotados pelo município, ajudam no enfrentamento das dificuldades e o novo sistema de tratamento de água representa mais tranquilidade.

Estiagem compromete a navegação, o transporte de alimentos e o acesso à água potável, principalmente no Baixo Madeira

“Nós moramos distante de Calama, e nem toda vez a gente consegue ir. Tem a despesa, às vezes fico sozinha aqui também e não consigo ir, então tinha muita dificuldade mesmo. Agora, ficou muito mais fácil. Agradeço de coração a todos que vieram fazer esse serviço aqui na nossa comunidade”.

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

O município já havia adotado medidas emergenciais por meio do Decreto nº 21.945, de 27 de abril de 2026. Com o agravamento da estiagem, o Decreto Municipal nº 22.515/2026 declarou Situação de Emergência, reconhecendo os impactos da seca sobre comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas.

O documento aponta problemas como a redução da disponibilidade de água, o secamento de fontes naturais e as dificuldades de captação e abastecimento em diferentes localidades.

Firmeza (vinculada ao distrito de Calama, no Baixo Madeira) está entre as comunidades citadas. O acesso à região depende principalmente do transporte fluvial, com percursos que podem variar entre aproximadamente 260 e 300 quilômetros, conforme a rota e as condições de navegação.

Defesa Civil avaliou a água em mais de 65 localidades para definir soluções de abastecimento

Com a diminuição do volume de água, bancos de areia e trechos mais rasos tornam as viagens ainda mais difíceis, aumentando os riscos para moradores que precisam se deslocar em busca de alimentos, atendimento médico e água para consumo.

No local, foi realizada a instalação de um sistema de tratamento de água, o que representa uma mudança significativa na rotina dos moradores de Firmeza.

Para chegar a essa etapa, a Defesa Civil iniciou, ainda em junho, um planejamento técnico que incluiu a coleta de amostras de água em mais de 65 localidades. O levantamento, permitiu identificar as condições de abastecimento e definir as soluções mais adequadas para cada região.

A partir desse diagnóstico, foram implementados quatro sistemas de tratamento de água doados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), enquanto outras nove comunidades receberam filtros PW-Tech, tecnologia simplificada de tratamento de água. A prioridade é atender localidades mais isoladas e com maiores dificuldades de acesso à água potável.

Em outras comunidades, as análises identificaram que não havia necessidade de equipamentos específicos para remoção de ferro, sendo indicada a desinfecção com cloro, conforme as características da água e as orientações técnicas.

Marcelo Duarte afirma que a iniciativa garante água potável às famílias durante todo o ano

De acordo com o diretor executivo e supervisor das ações da Defesa Civil, Marcelo Duarte, o objetivo é garantir segurança hídrica e reduzir a vulnerabilidade das famílias diante das mudanças no nível do rio.

“A Prefeitura, junto com a Defesa Civil, busca uma solução definitiva de assistência humanitária às famílias vulneráveis, para que elas tenham água potável durante todo o ano, seja na estiagem, seja na inundação”, destacou.

COMO FUNCIONA O SISTEMA DE TRATAMENTO?

O sistema instalado utiliza bombas para captar a água diretamente do Rio Madeira e conduzi-la até um primeiro reservatório.

Nessa etapa, é aplicado sulfato de alumínio, produto que auxilia na aglomeração e decantação das partículas de barro e outras impurezas presentes na água.

Em seguida, a água passa pelo processo de filtragem e é direcionada a um segundo reservatório, onde fica armazenada para distribuição e pronta para consumo.

PROJETO ÁGUA PRESENTE

Firmeza recebeu um sistema de tratamento de água que facilita a rotina dos moradores

Além dos sistemas de filtragem, a Prefeitura de Porto Velho também mantém o fornecimento de água potável às localidades que ainda não receberam equipamentos de tratamento ou outras soluções de abastecimento.

Por meio de remanejamento orçamentário destinado à Defesa Civil, está prevista a entrega de 15 mil galões de água, de 20 litros cada, até o final de outubro, totalizando 300 mil litros.

O planejamento prevê a distribuição de três galões por pessoa, o equivalente a 60 litros, conforme os critérios de atendimento estabelecidos para as comunidades contempladas.

A iniciativa integra o projeto “Água Presente”, que tem como principal objetivo aproximar o abastecimento das famílias ribeirinhas, evitando que os moradores precisem enfrentar longas viagens ou arriscar a própria segurança durante a navegação.

Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, o compromisso da gestão municipal é ir além da assistência emergencial e construir alternativas que garantam mais autonomia às comunidades.

“Não queríamos apenas levar assistência. Nossa ideia é resolver o problema por completo e dar autonomia para essas famílias que dependem do rio para o sustento, além de trazer mais segurança e facilitar o acesso aos serviços básicos. Sabemos que a estiagem é uma realidade enfrentada todos os anos, e precisamos trabalhar para que essas pessoas tenham condições dignas de viver, independente do nível do rio”, destacou o prefeito.

AÇÃO CONJUNTA

Assistência busca garantir segurança e dignidade às famílias ribeirinhas durante a estiagem

O trabalho de enfrentamento à estiagem também conta com a atuação integrada da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) e Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), que unem esforços à Defesa Civil para atender às necessidades das famílias atingidas.

As ações envolvem assistência humanitária, apoio logístico, medidas de saúde e acompanhamento das condições de abastecimento nas comunidades.

Paralelamente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) atua nos serviços de dragagem e no apoio às condições de navegabilidade do Rio Madeira, contribuindo para a circulação de embarcações em trechos afetados pela redução do nível das águas.

O monitoramento da estiagem continua sendo realizado para identificar novas necessidades e orientar as próximas etapas de atendimento.

Enquanto o Rio Madeira recua, a assistência precisa avançar. Para quem vive às suas margens, cada ação representa a esperança de atravessar mais um período de seca com segurança, dignidade e a certeza de não estar sozinho diante das dificuldades.

 

Texto: Letícia Regis 

Foto: Hellon Luiz 

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

 

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